Recentemente mostrei no instagram (@blognutrirbem) que estou montando um novo material de atendimento, e entre eles, uma pasta de orientação especialmente feita para as gestantes. Então, junto com este novo material, começa aqui no blog uma série que dirá em detalhes tudo o que a sua alimentação pode mudar na vida de seu filho, desde a gestação até quando a própria criança começará a fazer suas escolhas alimentares. Há muitas possibilidades para preparar e garantir a boa saúde das crianças durante muito tempo.

O que sua alimentação pode fazer pelo seu filho durante a gestação?

alimentação saudável gestantes

 

Controlar o ganho de peso:

É uma das grandes preocupações das mães quando procuram o acompanhamento nutricional durante a gestação. É de fato importante e é um dos tópicos a ser discutido e abordado ao longo de todos os nove meses: ganhar peso demais pode ser prejudicial para mãe e filho, pois facilita o aparecimento de outras comorbidades como aumento de pressão e pré-diabetes. Pouco ou nenhum ganho de peso também não é interessante, mãe e filho precisam estar muito bem nutridos para garantir boa saúde e também evitar complicações. O ganho de peso adequado para cada gestante deve ser planejado individualmente, pois depende do estado de saúde geral da mãe, e outras condições da gestação. Mas a boa nutrição durante a gestação pode fazer muito mais do que “apenas” direcionar o ganho de peso.

Controle de sintomas:

gestante enjoada

Náuseas, enjoos e vômitos são alguns dos sintomas comuns do começo da gestação, e azia, refluxo e constipação são os que vêm mais para o final. Muitas estratégias nutricionais podem minimizar o desconforto da mãe, colaborar com o bem estar, e manter o bom consumo alimentar. Por exemplo, fazer boas escolhas para o café da manhã reduz bastante as chances de enjoos matutinos, e melhora o consumo alimentar da gestante ao longo do dia inteiro.

Placentação:

No início da gestação, devido à enjoos não controlados, muitas vezes a gestante acaba restringindo muito o consumo alimentar. Mas é justamente nesta fase que a placenta, que será o órgão responsável por nutrir o bebê durante a gestação, é formada. Uma placentação saudável depende de bom aporte de nutrientes, portanto cuidar desta fase com carinho, garantindo a alimentação saudável e adequada, priorizando os alimentos certos e em boa variedade, pode mudar todo o curso da gestação, e assim reduzir o risco de comorbidades e complicações no futuro.

Programação metabólica e epigenética:

programação metabólica na gestação

Lembre-se que todas as células do bebê são formadas durante a gestação a partir da disponibilidade de nutrientes da mãe. Considere que a oferta dos nutrientes pode moldar a predisposição (ou não) deste novo organismo que se forma à diversas doenças, características, preferências alimentares, hábitos de estilo de vida… ou seja, programação metabólica como um todo.

Hoje já podemos afirmar com propriedade que a alimentação da mãe pode determinar muito dos fatores de proteção ou riscos de doenças no futuro da criança. Por exemplo, se na alimentação materna há gordura trans em excesso, o bebê tem mais chances de, no futuro, desenvolver alterações de colesterol ou até doenças cardíacas.

Formação de paladar:

A alimentação materna é capaz de modificar e influenciar a formação de paladar da criança, não apenas pela disponibilidade de nutrientes, mas também por leves alterações de sabor do liquido amniótico. A partir da metade da gestação, quando os bebês começam a ter o reflexo de engolir, a modificação da composição do líquido amniótico pela variedade alimentar da mãe, acostuma o bebê a sabores diferentes. Isto ajuda a criança a tolerar melhor a variedade de sabores que uma alimentação saudável e variada tem. A gestação é o primeiro impacto importante na programação metabólica e formação de paladar do bebê, sendo a amamentação e a introdução alimentar as outras duas grandes chances de cuidar destas modulações – mas as outras chances são assunto para outros posts 😉

O que não consumir durante a gestação:

Existem recomendações gerais sobre o que gestantes não devem consumir (como carnes cruas ou mal passadas, por exemplo), mas há outras que devem ser decididas individualmente. Há também que se fazer adequações para que nenhum nutriente fique faltando; por exemplo, não é aconselhável que as gestantes consumam vegetais crus fora de casa, mas ao mesmo tempo elas têm necessidade nutricional de vitaminas e minerais aumentada, e por isso, precisam manter a variedade de vegetais na alimentação. Outro ponto, é que na maioria dos casos não é indicado o uso de adoçantes, mas isto não significa sinal verde para o açúcar. Há muitos chás, ervas e especiarias que não são recomendados durante a gestação, bem como o uso de recipientes de plástico que contenham Bisfenol A, alimentos altamente industrializados…. Há substâncias que o metabolismo adulto pode tolerar com uma certa tranquilidade, mas que não sabemos o quanto destas substâncias é passada pela placenta, e o quanto um bebê pode tolerar. Então há que se ter muito critério nestas decisões.

Desenvolvimento neurológico do bebê:

Outro aspecto já bem sedimentado na ciência é a relação entre o bom consumo de ômega 3 pelas mãe (e/ou suplementação, na maioria dos casos) durante a gestação e um impacto positivo no desenvolvimento neurológico e cognitivo dos bebês. Por isso, contar com peixes, castanhas e nozes, azeite e abacate, por exemplo, durante todo o curso da gestação, pode ter ótimos resultados no desenvolvimento da criança, durante toda sua vida.

OMEGA-3-SAUDE

Sabendo que há muito o que se pode fazer para garantir saúde e boas escolhas alimentares na vida das crianças desde muuito cedo, fica ainda mais clara a importância do acompanhamento nutricional regular durante a gestação. O pré natal feito por uma equipe multidisciplinar garante maior tranquilidade e benefícios para mãe e bebê a curto, médio e longo prazo.

Ao longo da série o que sua alimentação pode fazer pelo seu filho, vamos seguir com as influências alimentares da mãe no crescimento e desenvolvimento das crianças.

Assinatura Thais C. LaraNutricionista

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