Continuando a série “o que a alimentação pode fazer pelo seu filho”, o terceiro post é sobre a introdução dos alimentos. Passada a gestação (veja aqui o post sobre esta fase) e o momento de amamentação exclusiva (veja aqui o post), chegou a hora do seu bebê começar a conhecer o mundo dos alimentos.

mundo dos alimentos

Nesta momento, já não é mais exatamente sua alimentação influenciando a vida do seu filho, e sim, quais alimentos ele vai conhecer, a forma que ele vai conhecê-los e como vai construir, com sua ajuda, seu comportamento e relação com a comida e com as refeições. Observe que não é só uma questão de qualidade e quantidade, mas também o tipo de experiência é importante aqui.  Eu costumo dizer que esta é a terceira grande chance (a última, de alto impacto!) que os pais têm em realmente mudar a vida e preferências alimentares de seu filho, para o resto da vida, pela alimentação.

Então veja aqui quais são os pontos importantes e decisivos nos quais você precisará pensar para começar, da melhor forma possível, a apresentação dos alimentos para seu filho:

Programming metabólico

nutrientes no dna

Nesta fase ainda é possível acontecer a programação metabólica, que já falei um pouco nos posts anteriores, mas trata-se de programar o metabolismo e funcionamento do organismo como um todo pela presença ou ausência de micro e macronutrientes. Por isso, existem alguns alimentos que não devem ser apresentados antes da criança completar 12 ou 24 meses, como por exemplo açucares e doces, leite de vaca e derivados, e alimentos industrializados no geral. E, da mesma forma, há alguns alimentos que, quando apresentados no momento correto, podem prevenir intolerâncias ou alergias alimentares, como é o caso do peixes, ovos, e alimentos com glúten. Então, a introdução alimentar é mais uma etapa de investimento na alimentação do seu filho, para torná-lo o mais saudável possível, com boa gama de aceitação de paladar, a curto, médio, longo e longuíssimo prazo.

Quando começar a introdução dos alimentos

O programming metabólico é também muito impactante em relação ao momento ideal para começar a introdução alimentar. Existe a recomendação da Organização Mundial da Saúde e atualmente também a Sociedade Brasileira de Pediatria, em manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade – e isto já impacta de forma positiva na programação do metabolismo. Se por algum motivo o bebê estiver em uso de fórmulas infantis (e não leite materno), a recomendação é a mesma: nada, além do leite, deve ser oferecido para o bebê antes dos seis meses completos. introdução dos alimentos - papinha 1Estas recomendações coincidem com os estudos que mostram que os bebês apresentam prontidão, maturidade fisiológica e interesse pelos alimentos perto dos 6 meses de vida. Ou seja, antes disso, o bebê é ainda muito imaturo para receber outro alimento, além do leite. E já existem evidências suficientes que mostram que a introdução alimentar precoce aumenta em até 6x a chance de sobrepeso ou obesidade na criança, até os 3 anos de idade. Enfim, um ponto importante a ser considerado, será que o bebê já está pronto?

Hábito alimentar e paladar

introdução dos alimentos - papinha 2

O hábito alimentar das crianças é formado a partir de qualidade, quantidade, harmonia, adequação e prazer, então é essencial visar todos estes tópicos quando na introdução dos alimentos na vida do seu filho, para guiá-lo ao hábito alimentar saudável. Além disso, preferências alimentares de sabor são aprendidas por meio de experiências com o alimento, em diferentes momentos, texturas e formas de apresentação. Isto significa que as preferências alimentares têm pouca influência genética, e estão mais suscetível ao ambiente, cultura, e conhecimento sob o alimento. Então, você não gostar de um certo alimento, não significa que seu filho também não ira gostar. O hábito e as preferências alimentares são formados e moldados durante a infância, dando à introdução dos alimentos uma grande responsabilidade também neste aspecto.

Apresentação, textura e quantidade

introdução dos alimentos - blw
BLW – Baby Lead Weanning, ou o “desmame guiado pelo bebê”

Desde bem cedo é importante pensar na forma de apresentação dos alimentos para seu filho, cuidar do equilibrio nutricional, e ensiná-lo a reconhecer e respeitar os sinais de fome e saciedade. A forma de apresentação dos alimentos será guiada pela metodologia de introdução alimentar escolhida: no método tradicional, em papinhas, é importante oferecer os alimentos amassados (não batidos!) de forma separada para deixar que o bebê conheça e experimente o sabor de cada alimento. No método BLW, os alimentos são ofertados em pedaços, e no geral a criança tem mais liberdade para explorá-los e conhecê-los bem. Há famílias que mesclam os dois métodos, e podem ter os bônus (e ônus também, rs) de cada um dos métodos. O importante é que os alimentos sejam ofertados de forma chamativa, preparados com técnicas culinárias corretas para a preservação de nutrientes, sabor, textura e aroma.

Assim, a atenção à textura dos alimentos é também importante: garantir que a criança tenha contato com várias formas de preparo de todos os grupos alimentares, facilita com que ela aceite bem a refeição da família quando completar 12 meses. Por isso, quando a introdução alimentar é feita com papinhas, é essencial evoluir a consistência gradativamente, até chegar aos sólidos; e quando em BLW, lembrar de apresentar também consistências tipo purê, para que não seja algo estranho para a criança no futuro.

Em termos de quantidade de comida, quem manda é o bebê! O reconhecimento à  saciedade é um reflexo inato (e muito respeitado quando a criança está em aleitamento materno), mas é algo que facilmente influenciamos de forma negativa quando o bebê começa a comer. É importante respeitar o sinal de saciedade do bebê (e também das crianças mais velhas), sem que seja necessário “raspar o prato”.

carlos gonzales

Enfim…

Uma boa introdução alimentar, bem planejada e embasada, e acima de tudo, com suporte e acompanhamento profissional atualizado, pode ser a grande chance para garantir ao seu filho uma alimentação saudável desde sempre, sem sofrimentos. Já pensou?

 

Assinatura Thais C. LaraNutricionista

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