A obesidade é hoje talvez a maior epidemia mundial. Sim, epidemia. Nos Estados Unidos, 1/3 dos adultos são obesos, e 17% das crianças e adolescentes já estão sobrepeso. No Brasil, 49% das pessoas já são classificadas como sobrepeso, e 16% obesas ( Dados da pesquisa Vigitel, de 2011).

Por definição, a obesidade é o excesso de energia armazenado na forma de gordura, resultando em um acúmulo excessivo de gordura corporal.

Além de todos os motivos que levam a obesidade, englobando a mudança do padrão de vida da população, sedentarismo, alimentos industrializados, aumento do tamanho de porções, etc (ok, assunto para outro post…) atualmente considera-se a obesidade uma doença multicausal, que é vista como fator de risco para muitas outras doenças.

Multicausal pois há influencias genéticas, hormonais, alterações das sensações de fome e saciedade, fazendo com que o indivíduo coma mais, aumentando assim o “estoque” de gordura armazenada.. Paralelamente a isso, há uma maior absorção de nutrientes no trato gastrointestinal, associado a menor gasto calórico e perda de gordura. Ou seja.. muita coisa acontece no organismo da pessoa com obesidade, sem que ela perceba ou comande. Por isso, há muito tempo, o obeso deixou de ser considerado o culpado por sua doença.

A obesidade é considerada um fator de risco para outras doenças crônicas e distúrbios, como a hipertensão, resistência à insulina e/ou diabetes, doenças cardiovasculares, distúrbios do aparelho locomotor, dificuldades respiratórias…

Bom, considerando tudo isso, acho que fica claro que o tratamento da obesidade deve contar com uma equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico….), para que tudo possa ser avaliado e analisado com cautela. Entre os diversos objetivos do tratamento, estão a redução gradativa do peso e manutenção a longo prazo. Tanto que hoje já não se fala mais em emagrecimento rápido e peso ideal, e sim em emagrecimento saudável e sustentável, com adequação alimentar, e faixa de peso saudável. E esta perda de peso também deixou de ser uma “simples” perda de peso; deve ser uma perda de gordura, que se relaciona a uma redução de circunferência abdominal (como na foto), consequência da redução de gordura visceral – aquela infiltrada nos órgãos. Desta forma, o risco para todas aquelas doenças e distúrbios que se associam à obesidade, já são reduzidos. Além disso tudo, o tratamento da obesidade tem também como objetivo, a melhora da qualidade de vida dos indivíduos. É, é bem complexo..

Claro que por muitas vezes a pessoa com obesidade tem uma ansiedade muito grande em reduzir seu peso. Mas é essencial que fique claro que já é considerado um grande sucesso pela equipe de saúde a perda de 5 a 10% do peso inicial, e que esta perda já traz uma grande melhora dos fatores de risco e da qualidade de vida.

Bom, e para falar do que eu realmente gosto, para que tudo isso seja possível – e saudável, é essencial que a reeducação alimentar da pessoa com obesidade seja planejada e individualizada, respeitando a rotina e preferências alimentares, chegando assim em um plano alimentar viável para o paciente. Além disso, é necessário que haja um acompanhamento nutricional periódico,  com todo o suporte por parte do nutricionista, e envolvimento ao tratamento, por parte do próprio paciente. Assim, a parceria e cumplicidade entre nutricionista e paciente, fazem toda a diferença.

Para finalizar, segue aqui um vídeo que encontrei esta semana. Ele fala especificamente sobre obesidade infantil, mas acho que a mensagem é valida para a todos!!

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