Bebês

4 considerações importantes para antes de começar a introdução alimentar

A introdução alimentar é um marco no desenvolvimento do bebê, assim como aprender a andar e falar. É importante que pais, cuidadores e bebês estejam preparados e bem orientados para passar por este momento de desafios e descobertas de uma forma positiva e leve. Por isso, listei 3 considerações que avalio como muito importantes para que a família avalie antes de começar a introdução alimentar:

1. Estar pronto para começar a comer

A introdução alimentar deve acontecer perto dos 6 meses, ou quando o bebê se mostrar pronto. Isso quer dizer que o bebê dá sinais motores de que fisiologicamente já está pronto para receber um alimento diferente do leite materno ou fórmula que ele conhece até agora.

O bebê pronto para comer senta-se sozinho e sem apoio, mostrando tronco firme e boa coordenação de cabeça e pescoço. Observa as pessoas comendo e tenta imitar a mastigação. Vai em busca da comida e ao alcançá-la, consegue pegar e levar à boca. Tem reflexo de protrusão (aquele que joga a colher e os alimentos para fora da boca) mais ameno, e aceita melhor objetos (colher) e alimentos na boca. Começa a lidar melhor com texturas diferentes de líquidos na boca.

Sinais que o bebê dá quando está pronto para começar a comer

Se estes sinais estão presentes, é muitíssimo provável que seu trato gastro intestinal e produção de enzimas também já estejam prontos e maduros para receber outros alimentos além do leite.

De modo geral, tudo isso acontece ao redor de seis meses – o que pode significar 5 meses e meio para uns, 6 meses e meio para outros. O importante é estar atento aos sinais que o seu bebê dá que já está pronto para dividir as refeições com a família.

Se a introdução alimentar começa antes do bebê estar de fato pronto, é muito provável que a aceitação dos alimentos seja bem baixa. Isso porque, a tolerância dele com objetos e sólidos na boca será baixa, o movimento da língua irá jogar os alimentos para fora da boca, e dificilmente o bebê se sustentará sentado (mesmo que com apoio) por muito tempo em uma cadeira de alimentação. Além disso, começar a comer antes de estar pronto pode estar relacionado à seletividade alimentar no futuro, pois a fisiologia do bebê não estava madura o suficiente para lidar com os alimentos.

2. Clima do momento de refeição

Estando o bebê pronto para comer, é bem importante que o momento da refeição seja tranquilo e agradável. O bebê estará entendendo tudo como uma grande novidade, e aquilo que é posto à sua frente (o alimento) como um brinquedo novo. Por isso, é importante que os pais estejam tranquilos e deixem que o bebê interaja com a comida. E é igualmente importante que o bebê não esteja muito cansado, com sono ou morrendo de fome. Bebês irritados não brincam, e o momento de introdução alimentar, de início, é uma grande brincadeira.

Brincar com a comida aproxima as crianças dos alimentos, o que facilita seu consumo posterior. Além disso, o bebê ainda não sabe que aquele “brinquedo novo” também serve para matar a fome. Por isso, é natural que de início a criança não ingira grandes quantidades. E também por isso, é importante que os pais saibam que até o final dos 12 meses, o principal alimento do bebê é o leite materno ou fórmula. A introdução alimentar é um momento de apresentação dos alimentos, e não há obrigação em comer.

3. A quantidade, é o bebê que sabe

Os bebês têm muito claro para si que quando estão saciados param de comer. Eles fazem assim quando estão em aleitamento materno ou fórmula: se estão saciados, simplesmente param de mamar. Por isso, na introdução alimentar, devemos continuar respeitando este sinal tão puro e valioso. Não precisa insistir para que o bebê coma “mais uma colherada”. Não precisa colocar um desenho para o bebê se distrair e raspar o prato. Se o bebê parou de comer, é porque já está suficiente.  É importante que a confiança no bebê seja um dos pilares da introdução alimentar.

4. Refeições em família e da família

Por último, mas não menos importante, o bebê precisa ter modelos de alimentação desde sempre. Mesmo que ele ainda não coma, é legal deixá-lo à mesa observando os adultos comerem, já é seu primeiro aprendizado. E quando começar a comer, é recomendado que as refeições sejam realizadas (sempre que possível) em família.

Comer em família permite que as crianças tenham (além de modelo de alimentação) relacionamento saudável com a comida e com o momento de refeição. Tem até estudos que mostram que crianças que comem em família têm melhor controle de peso no futuro, melhor desempenho escolar e menos chances de se envolver com drogas!

Outro ponto, é que é importante que o cardápio seja o mesmo para todos, com as adaptações necessárias. Eu sempre acho que cozinhar a comida do bebê E a comida da família não é sustentável no longo prazo. No fim, alguém (normalmente os pais) sempre acaba comendo mal. Por isso eu insisto em cuidar do cardápio de todo mundo junto. E muitas vezes acontece que a criança gosta de comer junto com os pais, até no mesmo prato. Se o menu é o mesmo, não tem problema!

E essencialmente por isso, os pais devem se alimentar tal como gostariam que seu filho se alimentasse. Isso se refere a todas as esferas: sentados à mesa, sem distrações, em um clima agradável e com companhia, e principalmente com um prato de refeição saudável e variado.