Meu filho não come: atitudes que podem atrapalhar e o que pode ajudar
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Meu filho não come: atitudes que podem atrapalhar e o que pode ajudar

A recusa alimentar de crianças é comum e – em até certo ponto – pode ser normal. Há diversos motivos pelos quais uma criança pode se recusar a comer: pode ser uma adaptação fisiológica de apetite; pode ser que esta criança esteja com algum desconforto ao comer; pode ser que ela apresente alguma dificuldade mastigatória ou em processar os estímulos sensoriais do alimento na boca… Podem ser inúmeras as causas, e isto precisa ser avaliado individualmente a cada caso.

criança não come

De qualquer forma, a criança que não come traz uma preocupação considerável aos familiares que – sempre na melhor das intenções – tentam encontrar maneiras de estimular que esta criança passe a se alimentar melhor. Por isso não é incomum ouvirmos as famílias dizerem:

você precisa comer para ficar grande/forte/bonito/saudável”
“seu irmão está comendo, só você não vai comer?”
“dê uma mordida para deixar a mamãe feliz”
“se não comer, não vai brincar”
“você me pediu para fazer macarrão, agora você vai comer!”
“parabéns por ter comido a cenoura! Viu como é uma delícia?”

Estes dizeres parecem inofensivos, mas são na verdade uma tremenda pressão para a criança comer. Além de serem muitas vezes o estopim para as brigas à mesa, a pressão para que a criança coma não a ajuda efetivamente, pois não tira o problema e o motivo pelo qual a criança não está comendo, e muitas vezes pode reduzir a aceitação da criança ao alimento.

O que pode funcionar?

Seria muito simplista da minha parte pensar que o que vou sugerir em seguida vai resolver os casos de crianças que não comem. Não vai resolver a maioria deles, pois – como já disse antes – é um problema complexo que precisa de uma avaliação detalhada, minuciosa e muitas vezes multiprofissional. Mas o que posso dizer é que, muito melhor do que a pressão para comer, estas atitudes podem auxiliar um pouco no processo de aprendizagem da criança.

Antes de qualquer coisa, é preciso falar no passo a passo que a criança precisa passar quando está aprendendo a comer/conhecendo um alimento novo. Antes de chegar no topo (que é comer), a criança precisa passar por todos os degraus da escadinha: tolerar o alimento (ficar perto) > interagir (colocar as mãos, brincar) > cheirar > pegar > provar > comer.

As sugestões a seguir respeitam e incentivam este processo de aprendizagem da criança

  1. Não tenha medo de oferecer novos alimentos. Procure sempre associar a exposição de um alimento novo a outro que a criança já conhece e aceita.
  2. Aproximar a criança ao alimento – deixá-la exposta aos alimentos antes da hora de comer ajuda com que elas se aproximem deles, se familiarizem e fiquem mais à vontade. Contar histórias, fazer brincadeiras com o alimento como protagonista torna o momento lúdico.
  3. Aproximar a criança fisicamente ao alimento – incentivar que a criança se aproxime dos alimentos sem pressioná-la a comer. Sugira que a criança cheire, ou dê um beijinho no alimento.
  4. Envolver a criança no preparo – solicitar ajuda da criança para escolher os legumes no sacolão; pedir para que eles lavem a salada; pedir para que coloquem à mesa e tirem depois os alimentos que sobraram. São também formas de aproximar a criança do alimento sem pressioná-la para comer.
  5. Exaltar o alimento – dizer o quanto você gosta ou sente-se bem quando come o alimento, mas sem pedir para que a criança prove ou coma. Se ela vê seu adulto de referência apreciando um alimento, a criança pode ficar mais encorajada à colocar na sua rotina também.
  6. Não pressione a criança a levar nenhum alimento à boca. Se a criança levar à boca, não a pressione para mastigar e engolir. E se engolir, não a pressione para continuar comendo.

Se estas sugestões aplicadas com consistência não melhorarem em nada a alimentação do seu filho, você precisa de ajuda! Procure um profissional habilitado e que tenha experiência em trabalhar com dificuldades alimentares para uma boa avaliação, para que vocês possam ser auxiliados de forma assertiva e resolutiva.

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