Crianças

7 estratégias para seu filho comer melhor

Uma das coisas que mais levam pais aos consultórios de nutrição infantil são pedidos de ajuda para que as crianças comam melhor. É claro que “comer melhor” é relativo: tem casos que são necessários ajustes de quantidades, outros de qualidade e outros ainda de variedade. E justamente por isso, a cada família que busca ajuda para que seu filho “coma melhor”, são muitas as estratégias possíveis e a expectativa de resultados também é diferente para cada um.

No entanto, listei 7 estratégias que considero importantes quando os ajustes necessários são relativos à qualidade e variedade dos alimentos aceitos pela criança:

oferecer com persistência

Sempre reforço com as crianças (e adultos também, rs) que um alimento novo precisa de várias chances até que a gente se acostume e goste do sabor dele. Por isso, mesmo que seu filho rejeite o alimento, não deixe de ter em casa, não deixe de colocar à mesa, e não deixe de oferecer. Quanto mais familiar for o alimento, e quanto mais oportunidades a criança tiver, mais provável é de que ele se torne parte de seu repertório alimentar.

Mas atenção: persistência não é insistência e muito menos forçar a comer. Persistência é não desistir do alimento, é deixá-lo à vista para que a criança possa sempre dar mais uma chance à ele.

alimentos-ponte

Tenho lido, estudado muito e visto bons resultados com alimentos-ponte, que nada mais é do que oferecer um alimento novo junto com algum que a criança já gosta. É mais fácil me aproximar do novo se eu tenho algo que já conheço e gosto junto. Então as vezes podemos misturar o vegetal novo ao macarrão, que a criança adora; ou colocar a fruta nova com chocolate derretido; ou experimentar o legume cozido junto com o molho branco que já é um sucesso… o alimento já conhecido faz a ponte com o alimento novo.

Mas também é importante oferecer o alimento novo separado. No meio de todas as chances que devemos dar ao alimento, é importante que a criança conheça o sabor e a textura únicas e puras do novo alimento.

poder de escolha

A criança ser ativa em seu processo de alimentação é um dos pontos mais importantes da alimentação infantil: quanto maior autonomia eles tiverem em sua alimentação, mais participativos e colaborativos serão.

Deixe que a criança escolha: qual legume você vai querer hoje, cenoura ou brócolis? Você quer uva ou goiaba para o café da manhã? Você prefere levar um sanduíche de queijo ou de atum para a escola? Deixe a criança escolher o que vai comer dentro da pré seleção que você já fez. Perceba que a pergunta não é “você quer fruta?” e sim “qual fruta você vai comer?”

se alimente da forma que gostaria que seu filho se alimentasse

Não tem jeito, crianças precisam de exemplos e referências para tudo. Seja o modelo de como gostaria que seu filho se alimentasse. Porque uma criança comeria algo que nunca vê quem está por perto comendo? Porque tem que ter no prato dele e não no seu?

A alimentação da criança tem muito a ver com confiança. E as crianças confiam naquilo que o adulto que está com ela come. Entendem que se o adulto come, aquilo é seguro. Pense nos homens da caverna: a criança não comeria algo que não conhece, que pode ser venenoso. Então, como ela deveria acreditar que abacate é uma delicia sem açúcar, se seu maior espelho nunca come?

As crianças aprendem a gostar de quase tudo aquilo que os pais comem. Se você acha que seu filho precisa comer melhor, comece se alimentando da forma que gostaria que ele comesse!

personagens

Associar alimentos saudáveis à personagens ou atribuir à eles superpoderes é uma estratégia que funciona, em conjunto com as demais. É o que a indústria de alimentos faz: colocar imagens infantis em produtos industrializados. Vamos usar os superpoderes e personagens à nosso favor! Diga que o Hulk adora comer brócolis, que a Galinha Pintadinha come milho toda manhã, que as bonecas LOL adoram salada de frutas, que o Bob Esponja almoça peixe todos os dias….

Enfeite a mesa com os bonequinhos e brinquedos do personagem, deixe a refeição lúdica e divertida para a criança. Com certeza será mais prazeroso dividir o alimento – e o super poder – com o super-herói presente na refeição!

experiências como recompensas

É uma estratégia que eu adoro, mas precisa de um certo cuidado. Primeira consideração, as recompensas não devem ser algo para se recorrer sempre. Sugiro que venham após uma série de comportamentos alimentares desejáveis, já previamente combinados com a criança

Segunda consideração: as recompensas devem ser experiências, e não comida ou objetos. A ideia é que a criança associe as conquistas de melhoras na alimentação à momentos agradáveis, e que a sensação prazerosa as motive a se alimentar melhor – e não a conquista de um objeto ou a barganha por outro alimento.

Estas experiências prazerosas são as que normalmente estão relacionadas ao consumo de fast foods, por exemplo. Ao comer no fast food, as crianças no geral estão felizes, em meio a um passeio em família.. A ideia é gerar o mesmo disparo de prazer, com experiências felizes e agradáveis, com as refeições saudáveis e em família 🙂

Por isso, sugiro como recompensas: uma sessão de cinema com a família, fazer um “acampamento” na sala com amigos, uma festa do pijama, uma sessão de paintball ou escape 60… Algo que seja valioso, desejável e divertido para a criança.

experiências práticas

Por último, mas não menos importante, gosto muito das experiências práticas com as crianças!

Desde muito pequenas, as crianças podem ser envolvidas em momentos “mão na massa” com alimentos: fazer uma horta, ajudar a guardar as frutas na fruteira, higienizar os vegetais, cortar legumes, fazer preparações na cozinha…. Tudo isso aproxima e reforça o bom relacionamento da criança com o alimento, longe do momento de refeição onde o foco é comer.

E voltamos ao ponto onde a criança só come aquilo que conhece: se ela tiver várias oportunidades de conhecer o alimento, em vários momentos, com vários estímulos (táteis, visuais, olfativos), é mais provável que aceite o alimento na hora da refeição

Por isso, ter uma hortinha de temperos para usar em casa, ou plantar tomatinho cereja ou feijão no algodão com a criança são atividades simples e de muito resultado. Para as preparações, busque receitas simples e atrativas, peça ajuda para a criança para escolher e preparar os alimentos. Tenho certeza de que serão medidas essenciais e muito diferenciais na melhora da alimentação do seu filho.